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Este blog trás algumas de minhas experiências como fotógrafo profissional e outros assuntos relacionados a fotografia, observação de aves e natureza.
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© Octavio Campos Salles

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“O fundo é quase tão importante quanto o assunto”, costumo falar isso nos meus cursos. E é isso mesmo, o plano de fundo pode tornar ou uma foto excelente ou horrível, principalmente em fotos de aves com tele-objetiva. Muitas vezes vejo o pessoal tão bitolado com a ave que acaba esquecendo do plano de fundo! Só vai reparar depois, no computador, e aí já é tarde. Geralmente queremos dar ênfase à ave e deixar o fundo homogêneo, fora de foco, não muito confuso e nem competindo com o assunto. O fundo deve complementar o assunto.
Pra conseguir um fundo fora de foco temos que levar 4 fatores em consideração:
1) O tamanho do sensor da câmera: quanto maior o sensor, menor será a profundidade de campo, ou seja, vai ser mais fácil conseguir colocar o fundo fora de foco. Com câmeras compactas, cujos sensores são, em média, bem menores que as DSLR full frame, é difícil conseguir esse efeito, pois a profundidade de campo nesses casos é bem grande. Existem ainda as DSLR de sensor “cropado”, geralmente 1.5 ou 1.6 vezes menor que um sensor 35mm (full frame). Essas tem profundidade de campo intermediária. Eu recomendo e uso câmeras full frame devido à qualidade de imagem superior gerada por elas, mas existe a desvantagem de “perder” distância focal. Por exemplo em uma câmera de sensor cropado, uma lente 400mm equivale a uma 600mm, já na full frame 400mm são 400mm mesmo!
2) Quanto maior a distância focal, menor a profundidade de campo: com uma lente 600mm vai ser mais fácil desfocar o fundo do que com uma 200mm.
3) Quanto maior a abertura da lente utilizada, menor a profundidade de campo: quando usamos, por exemplo, f/2.8, a profundidade de campo é menor do que f/4. O fundo vai ficar mais desfocado em f/2.8. Mas a escolha de que abertura usar é um pouco mais complexa que isso e motivo pra outro tópico. Pra esse assunto, basta saber isso.
4) Distância do assunto: quanto mais perto chegamos da ave, mais fácil será desfocar o fundo; ou ainda quanto mais longe for o fundo em relação à ave, mais fácil será desfocá-lo.
 Conseguir fundos desfocados e uniformes em aves de floresta é mais difícil. Eu sempre tento achar a melhor posição pra conseguir um fundo uniforme, é uma preocupação constante. Ao me mover alguns passos pra esquerda consegui um fundo mais limpo pra fotografar esse surucuá-de-barriga-amarela (Trogon rufus) no Parque do Zizo.
Mas só o fato de deixar o fundo fora de foco não é suficiente. É preciso escolher um fundo que, de preferência, não tenha objetos “atravessando” a ave. É bom também evitar fundos aparecendo o céu em dia nublado ou fundos onde você tem pontos de brilho, como por exemplo o céu através da copa de uma árvore. Esses pontos de brilho, quando fora de foco, ficam bem maiores e acabam com a foto. Outra dica é procurar uma cor de fundo que complemente a ave, então se vc for fotografar as aves de floresta, combina bem um fundo verde… já aves de cerrado combina um fundo marrom, e assim vai.
 Inicialmente essa ariramba-de-cauda-ruiva (Galbula ruficauda) estava pousada em um local ruim, onde o fundo era muito claro e confuso, cheio de galhos atravessando a ave ou formando padrões estranhos de composição.
 Ao invés de me contentar com a primeira foto, tive um pouco de paciência e esperei que a ariramba pousasse num lugar melhor. Logo ela escolheu esse galho, com um fundo mais escuro e uniforme, bem melhor que o outro.
Uma boa forma de conseguir desfocar bem o fundo, principalmente com aves que andam no chão, é chegar no nível da ave, mesmo que isso te force a deitar no chão! Dessa forma o fundo vai ficar bem uniforme e desfocado.
 Ao deitar no chão eu consegui um fundo muito uniforme pra fotografar esse maçarico-branco (Calidris alba) no RS. O fundo também mostra uma idéia do hábitat típico da espécie quando em migração - praia amplas, bem abertas.
Claro que pra tudo existe uma exceção e ás vezes queremos exatamente o contrário: um fundo bem focado pra mostrar melhor o ambiente da ave. Mas de uma forma geral na maioria das vezes nesse tipo de foto buscamos um fundo desfocado e que complemente a foto.
Quando pensamos em fotografias de paisagens, logo associamos ao uso de lentes grande-angulares, que conseguem registrar todo o cenário. Mas e se apenas parte da cena for mais interessante? É aí que entram as tele-objetivas. Por tele-objetiva entendo qualquer lente acima de uns 100mm. Tem gente que acha que tele-objetiva só serve pra fotografar animais, mas não é bem por aí. Com elas podemos “retirar” da cena apenas a parte que nos interessa. Acho as tele-objetivas particularmente úteis quando queremos registrar cenas de florestas, já que muitas vezes uma grande-angular pode incluir tanta coisa do “caos” em volta, que a foto fica confusa e acaba não passando a beleza do lugar.
Existem algumas particularidades na fotografia com tele-objetivas que devem ser levadas em conta:
Perspectiva:
Como Ansel Adams já disse: “a perspectiva é uma função da distância da câmera pro assunto“. Então já que a perspectiva é determinada apenas de onde você está fotografando, você as vezes vai notar que a perspectiva mais interessante é quando olhamos a cena de uma grande distância. Então pra preencher o quadro com essa perspectiva distante, é necessário o uso de uma tele-objetiva.
 A cena vista através de uma lente 50mm inclui muitos elementos que não ajudam muito, sem falar que o interesse principal pra mim no caso era o enorme jatobá com folhas vermelhas, que se destacava do restante da floresta.
 Nessa foto eu troquei pra uma lente 300mm e aí sim, consegui dar mais destaque ao enorme jatobá. Note como a perspectiva não mudou. CLIQUE PARA VER MAIOR.
Compressão:
Tele-objetivas possuem a característica de comprimir objetos posicionados na frente da lente. Então se com uma lente normal uma árvore pode parecer estar bem distante da outra árvore por trás, com tele-objetivas elas podem parecer estar bem próximas uma da outra. Uma garoa pode parecer uma chuva torrencial. Um bandinho de aves pode parecer um bando enorme. Essa compressão pode não representar fielmente a realidade da cena, mas pode ser usada a seu favor na visão artística.
Saber usar a compressão a seu favor é fundamental pra conseguir bons resultados na fotografia de paisagens com tele-objetivas. Quando você comprime uma cena normalmente é possível identificar “camadas” da cena, como aqueles livros infantis com diferentes camadas para os arbustos, a árvore, o celeiro, a casa, as nuvens, etc. Você deve usar essas camadas para formar sua composição, geralmente da mesma forma que com uma grande-angular, com primeiro plano, plano intermediário e plano de fundo.
Essa compressão causada pela lente também aumenta a densidade de partículas na atmosfera e isso também pode ser usado a seu favor, mas no geral você vai precisar aumentar um pouco o contraste da cena com as curvas de tons no pós-processamento pra evitar que a foto fique muito flat.
 Repare como essa foto, feita em 600mm, está dividida em camadas, comprimidas umas contra as outras. Na realidade o morro onde aparecem as árvores no 1º plano estava centenas de metros na frente das árvores do fundo, mas a aparência é que estavam relativamente próximos. Essa compressão também ajudou a deixar mais aparente a neblina subindo no fundo. CLIQUE PARA VER MAIOR.
 Nessa foto a compressão ocasionada pela lente dá a impressão de que o mar está muito mais bravo e agitado do que realmente estava, pois comprime as ondas uma próxima da outra.
Profundidade de campo:
A profundidade de campo de uma tele-objetiva é muito menor que uma grande-angular, ou seja, é mais fácil conseguir planos desfocados com esse tipo de lente. Quanto maior a distância focal (e também o sensor da câmera, assunto pra outra hora), menor é a profundidade de campo. Como no caso da compressão, uma profundidade de campo limitada também pode ser usada a seu favor para efeitos artísticos e para dar ênfase em uma parte específica da cena.
Normalmente imaginamos sempre o primeiro plano focado e a cena atrás ficando gradualmente fora de foco. Mas na fotografia de paisagens com tele-objetivas muitas vezes consigo resultados interessantes colocando o primeiro plano levemente desfocado, aumentando a noção das “camadas” e de profundidade. E claro que esse primeiro plano deve fazer sentido e completar a composição.
 Somente com uma tele-objetiva foi possível fotografar a beleza dessas begônias no alto de uma árvore. A profundidade de campo limitada ajudou ao desfocar o plano de fundo, deixando o assunto em destaque. Foto feita em 600mm.
Nitidez:
Conseguir nitidez perfeita com tele-objetivas é mais complicado que com outras lentes, pois a longa distância focal não só multiplica o tamanho da imagem, mas também qualquer tremor, seja ele causado pelo movimento na câmera, pelo vento ou até mesmo pelo próprio espelho da câmera. A regra é: sempre use um tripé bom e estável para o peso do seu conjunto. Vejo muita gente usando tripés muito leves para o conjunto que possuem, e isso é um erro. O tripé deve ser muito sólido e forte, acredite em mim – faz diferença.
Outra coisa que faz muita diferença nesse tipo de fotografia é usar a função trava de espelho, também conhecida como Mirror Lock Up ou simplesmente MUP, e claro um cabo disparador ou controle remoto pra disparar a câmera. Usando o MUP você pode abrir o espelho e esperar alguns segundos antes de bater a foto, tempo suficiente pra eliminar qualquer tremor ocasionado pelo levantamento do espelho e que, em situações normais, estaria presente durante a exposição da foto. Isso também faz muita diferença e as vezes eu uso até na fotografia de aves.
Na fotografia não existem regras rígidas, a única regra é usar o equipamento pra criar a imagem que transmite o que vc pretende com ela. Existem ótimas fotos de aves com grande-angular, assim como existem ótimas fotos de paisagens com tele-objetivas. O importante é atingir o objetivo.
Todas as fotos desse post foram feitas no Parque do Zizo, exceto, é claro, a foto das ondas, que foi feita no P.N. da Lagoa do Peixe.

Taí um lugar que, por mais que eu vá com certa frequência, sempre tem atrativos diferentes. O grupo nessa viagem era muito bom e animado. Cheguei na quinta-feira na hora do almoço, sob um tempo bem fechado. As chuvas constantes na madrugada fizeram efeito, tudo estava encharcado e um lago na beira da estrada de acesso estava transbordando. Mas deu tudo certo, conseguimos passar sem problemas. Durante quase toda a tarde de quinta e a sexta-feira choveu fino praticamente o tempo todo. O tempo até dava uma trégua de vez em quando, mas não durava muito. Também estava bem frio pra época do ano, em torno de 15º. Isso fez com que a atividade das aves caísse, mas felizmente os comedouros estavam bem frequentados e pudemos nos divertir. Também foi uma boa oportunidade pra passar a parte mais técnica do curso, onde falamos de fotometria, flash, etc.
 Caneleiro-de-chapéu-preto (Pachyramphus validus)
Na sexta a noite as coisas começaram a mudar. O tempo melhorou rapidamente e até podíamos ver estrelas! Não demorou muito e um murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana) começou a cantar ao lado da pousada. Chamei um pouco no playback mas vi que a ave não saia do lugar, logo suspeitei se tratar de um jovem. Dito e feito, em seguida achei um lindo filhotão pousado no alto de um tronco quebrado, ainda com a plumagem bem clara. Fizemos boas fotos.
 O grupo na expectativa de fotografar uma Chamaeza meruloides. Da esquerda pra direita: Sergio Messias, Victor Chahin, Fabio Malerba e Sergio Gregório
O dia seguinte amanheceu com o tempo bem melhor. Fomos pra trilha do Pau Vermelho e foi a manhã dos thamnophilídeos, vimos nada menos que 10 espécies de choquinhas e afins, dentre elas a rara choquinha-pequena (Myrmotherula minor). A tarde fomos no mirante e logo na chegada demos de cara um lindo gavião-pombo-grande (Pseudastur polionotus), que rendeu algumas fotos. Demos também uma passada no brejo na parte alta do parque e registramos duas novas espécies pra lista, tesoura-cinzenta (Muscipipra vetula) e filipe (Myiophobus fasciatus). Foi legal ver um bacurau-tesoura-gigante (Hydropsalis forcipata) voando em plena luz do dia.
 Gavião-pombo-grande (Pseudastur polionotus)
A noite, no entanto, foi a maior atração da viagem. Encontramos novamente o filhotão de murucututu e dessa vez ele estava sendo alimentado pelos adultos! Foram duas horas fotografando a ação, sem que as corujas parecessem se importar com nossa presença, pois ficaram ali o tempo todo agindo de forma natural. Os pais vinham a cada 10 ou 15 minutos com algum inseto na boca, na grande maioria cigarras. Fizemos todos grandes fotos e fomos dormir felizes.
 Murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana), o filhote é o mais branco, de frente.
Se a noite passada foi boa, a manhã de domingo também começou em grande estilo. Achamos um falcão-caburé (Micrastur ruficollis) e fizemos ótimas fotos. A melhor foto no entanto ficou com o Sergio Gregório, espetacular. Um pouco mais tarde achamos um corocochó (Carpornis cucullata) e rendeu ótimas fotos. Fotografamos também o escasso papinho-amarelo (Piprites chloris). O dia ainda rendeu fotos de tovaca-campainha (Chamaeza campanisona), embora dessa vez ela não tenha cooperado muito.
 Corocochó (Carpornis cucullata)
Confira aqui as datas das próximas viagens a esse paraíso. A próxima é em Março e ainda tem vaga!
Grande parte da evolução das cores e morfologia das aves, e de outros seres também, gira em torno da visão – mais especificamente pra esse tópico – em torno do olho. Pra uma ave camuflada o olho é o ponto mais conspícuo de seu corpo, é o ponto fraco de seu disfarce. São os olhos que têm a maior força de nos mostrar que algo está vivo, e, para um predador, que aquilo é uma presa em potencial. Me lembro que quando fazia iscas artificiais para a pesca de fly, um dos itens mais importante de uma boa isca que imitiava um peixinho eram olhos bem grandes e chamativos. Os grandes peixes predadores tinham clara preferência por iscas com esses grandes olhos.
 O olho chama a atenção pra esse flautim (Schiffornis virescens), que do contrário poderia passar despercebido na mata.
Os urutaus (Nyctibiidae) são mestres em esconder o olho. Durante o dia permanecem imóveis, perfeitamente camuflados como se fossem um galho quebrado de uma árvore. No entanto seus grandes olhos amarelos seriam um alvo fácil, estragariam todo o disfarce. Simplesmente fechar o olho não é uma opção muito segura, pois, apesar de bem camuflado, da forma como eles ficam pousados no aberto é sempre bom ficar atento a predadores e, em último caso, fugir. A evolução então criou uma saída fantástica para os urutaus – pálpebras com pequenas aberturas, por onde a ave consegue enxergar mesmo com o olho fechado.
 Detalhe do olho de uma mãe-da-lua-gigante (Nyctibius grandis)
Outra saída, menos elaborada, mas usada por um número enorme de aves, é tentar esconder o olho com a coloração das penas. É por essa razão que vemos muitas aves com linhas oculares ou outros desenhos que tentam camuflar o olho. É o caso por exemplo do pia-cobra (Geothlypis aequinoctialis) ou do balança-rabo-de-máscara (Polioptila dumicola).
 A máscara na face de um balança-rabo-de-máscara (Polioptila dumicola) esconde os olhos
Essa saída acaba servindo duas funções. Ao mesmo tempo que camufla os olhos também cria uma máscara escura que diminui o reflexo e assim melhora a visão. Em uma espécie irmã do pia-cobra, lá dos EUA, um estudo mostrou ainda uma terceira função. A mancha preta ao redor dos olhos também pode significar dominância. Indivíduos com a mancha preta um pouco maior ou mais fortes eram mais dominantes em relação a outros machos e assim mais atrativos às fêmeas. Isso possivelmente ocorre com muitas outras espécies também.
 A máscara preta de um pia-cobra (Geothlypis aequinoctialis) pode servir 3 funções distintas
Uma outra variável muito interessante são os olhos falsos, que aparecem por exemplo nas asas de certas mariposas, nas asas do pavãozinho-do-pará (Eurypyga helias), na parte de trás da orelha de onças e tigres e, mais notavelmente, na nuca de caburés do gênero Glaucidium. A função desses olhos falsos pode variar. No caso das mariposas e do pavãozinho a função parece ser mesmo de pegar um predador de surpresa antes do ataque, pra assustar ele como querendo dizer “cuidado, eu sou muito maior do que você imagina!”. Já no caso das onças e tigres o olho falso atrás das orelhas parece querer mostrar, pra outros da mesma espécie, que “eu estou te vendo, não se aproxime”.
 Repare nos olhos falsos na parte de trás da orelha dessa onça-pintada
Já no caso do caburé, terríveis predadores de passarinhos, os olhos falsos na nuca podem ter duas funções: a primeira é que essas pequenas corujas, muitas de hábito diurnos, são frequentemente molestadas por pássaros e beija-flores, que testam espantar o caburé em técnica conhecida como mobbing, onde várias aves de espécies diferentes se juntam e ficam atormentando o predador até que ele saia dalí. Alguns mais corajosos chegam a dar bicadas! Nessa hora talvez seja vantajoso levar bicadas na nuca do que na cara! Outra hipótese é que uma dessas aves pode tentar fugir dos grandes e ameaçadores olhos na nuca, atormentando o caburé no que, pra ela, seriam as costas! É nessa hora que o caburé se aproveita e lança um ataque fulminante e curto. Já vi isso acontecer no Parque do Zizo, quando presenciei um caburé-miudinho (Glaucidium minutissimum) atacar e pegar um beija-flor que foi atormentá-lo pelo lado errado e se deu mal.
 Caburé (Glaucidium brasilianum). Repare nos grandes olhos falsos na nuca.
Os olhos são um dos órgãos mais importantes pra muitos predadores e exercem grande força evolutiva na busca de soluções.
Que a Amazônia vem sendo destruída a muito tempo isso não é novidade pra ninguém, mas agora o governo Dilma vem batendo recordes, como se já não bastasse o recorde de ministros envolvidos em falcatruas e, claro, nossa presidente “não sabia de nada”.
No primeiro dia do ano começaram a construir a polêmica barragem de Belo Monte, que vai mudar pra sempre a ecologia do Rio Xingu e de toda a floresta ao redor que interage com o rio e o modo de vida dos moradores locais. Esse, no entanto, será o menor dos impactos. A barragem vai trazer maior urbanização na região, construção ou melhorias de estradas e “ramais” e um maior número de colonos ávidos a desmatar a floresta. Com certeza a indústria monopolista da soja já está de olho, afinal pra eles, quanto mais perto do Rio Amazonas, melhor. Fica mais barato escoar a produção se comparar com a soja produzida no MT. Os grandes pecuaristas também já estão por ali, como urubus cercando uma carniça.
 A seta amarela aponta o local da Usina de Belo Monte.
A pressão sobre toda a porção leste/sudeste da Amazônia já é forte há muitos anos. O extremo leste da Amazônia já foi completamente destruído, falo daquela área gigantesca que ocupava boa parte do Maranhão e todo o leste do Pará e norte do Tocantins. Agora esse arco de desmatamento, que ganha força pelo sul, pelo Mato Grosso, vai cercando a floresta no Pará ao sul do Rio Amazonas.
O governo vai mexendo seus pauzinhos, articulando daqui e dali pra conseguir o que quer. Como representantes do governo afirmaram em reunião com o pessoal do movimento Gota d’água (aquele dos artistas, e que coletou 1,35 milhões de assinaturas em pouco tempo), as obras não serão interrompidas pois o investimento já é alto demais pra voltar atrás. Investimento de quem??? Certamente alguma mega-construtora está ganhando bilhões, assim como toda a politicagem que cerca o caso. Que eu saiba, que me ensinaram na escola, o governo democrático, eleito pelo povo, deve representar as vontades do povo, e não as vontades próprias! Mas com o tempo a gente vai ficando mais esperto, mais calejado, e percebe que o governo só vê mesmo as coisas que lhe interessam. Como Benjamin Franklin já disse: “A democracia são dois lobos e uma ovelha votando sobre o que vão querer pro jantar“. Adivinha quem são as ovelhas???
Enquanto isso o governo federal segue desapropriando os moradores da região sem consultas e maiores explicações (afinal, quem liga pra um bando de índios e ribeirinhos do interior do Pará, não é mesmo?), e segue cedendo licenças de desmatamento sem qualquer tipo de consulta ambiental, da mesma forma que segue com as obras de Belo Monte, mesmo tendo dezenas de casos ainda a serem julgados pela justiça. Justiça… sic, a justiça brasileira me dá nojo.

Belo Monte é só o começo. Outras usinas, como as do Rio Tapajós, ou a de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira, já estão em plena fase de planejamento e execução. No dia 06 de janeiro, quando todo mundo ainda estava de ressaca do reveillon, a presidente Dilma assinou na surdina a Medida Provisória pra diminuir ou alterar as áreas de parques nacionais, florestas nacionais e outras reservas ambientais que “estão no caminho” dessas futuras hidroelétricas. Essas usinas podem ser licitadas já agora em 2012 (espere novidades durante o carnaval), e terão impacto ambiental muito maior que a de Belo Monte, pois serão construídas em regiões mais preservadas da Amazônia. O governo dá prioridade a essas usinas e as considera como “planos estratégicos”. Podem escrever: é o fim de toda a porção leste/sudeste/sul da Amazônia. Nos anos 70 e 80 vimos a invasão da Amazônia por colonos pobres, financiada pelo governo. Hoje vemos a invasão das mega-construtoras. É uma nova fase no Brasil. Enquanto os EUA lucram com as guerras mantidas e perpetuadas em nome do petróleo (apesar de grande parte da população ser contra), o governo brasileiro agora aprendeu a lucrar com os mega projetos na Amazônia.
Essa situação só pode ser revertida quando o povo entender que o governo não está aqui pra te ajudar, o governo é seu inimigo. São simplesmente pessoas que estão no topo do poder e controlam o povo ignorante como marionetes idiotas. As cabeças pensantes, como eu e você, são muito poucos, sem força pra mudar alguma coisa. Os políticos não são técnicos especialistas em soluções, mas sim especialistas em politicagem. Os imperadores romanos, criadores da política do pão e circo, certamente ficariam muito orgulhosos em ver como as coisas funcionam hoje em dia.
Conseguir a exposição correta para o que você pretende passar com a foto é o primeiro e talvez mais importante aspecto da fotografia. É fundamental. Porém, na era digital parece que algumas pessoas estão dando menos importância para essas coisas básicas e fundamentais e mais pra besteiradas como “qual câmera é melhor a D4 ou 1Dx” ou sobre a tecnologia de sensores e etc… como se isso fosse fazer alguma diferença prática no mundo real. Não, isso não vai te tornar um fotógrafo melhor. Todas as câmeras profissionais hoje são fantásticas. Você não pode se dar mal com uma delas. Exceto se não souber o básico….
Então, pra realmente aprender sobre fotometria, sugiro que use sua câmera no modo manual e em medição pontual (spot meter). Faça isso agora, de verdade. Apesar de eu não fotografar o tempo todo em manual (as vezes uso prioridade de abertura), entender perfeitamente como funciona a medição de luz me deixa mais tranquilo e confiante em qualquer situação.
Antes de mais nada, todos os fotômetros das câmeras são burros, pois eles não fazem idéia do que estão fotografando (adivinhe, essa é a parte onde você entra!). Eles medem a luz refletida de qualquer objeto e assumem que tudo deve ter a mesma tonalidade – o famoso cinza médio, ou cinza 18%. Isso é o que alguém em algum momento um dia definiu como sendo a tonalidade média de todas as cenas, e acabou virando o padrão da indústria. Se você não fizer nada, é assim que a sua câmera vai reproduzir todas as cenas, em cinza médio (esqueça cores, estamos falando de tonalidades aqui). A melhor forma de chegar na exposição correta é usando a medição pontual no seu assunto e decidir se ele é mais claro ou mais escuro que cinza médio, ou, melhor ainda, o que vc quer que ele seja.
Pra entender como isso funciona pegue sua câmera agora e faça uma foto de uma parede ou folha de papel branca com bastante luz. Se voce está no modo manual certifique-se que não tem nenhum valor fixo de compensação de exposição na câmera, pois isso pode gerar uma leitura errada do fotômetro. Então, aponte a medição pontual pra parede e traga a exposição (tanto a velocidade ou abertura, ou ambos), pro ponto onde vc tem 0 de compensação. Quando você define 0 de compensação, significa que você concorda com aquele padrão que a câmera considera certo pra todas as cenas. Siginifica que vc concorda que sua parede branca é na verdade cinza médio (o que??). Bata uma foto e veja o resultado… adivinhe? Sua parede branca é mostrada como uma parede cinza! Subexposta.
 Só pra lembrar, você pode ver a leitura do fotômetro no visor da câmera, naquela régua.
Então o que fazer? Se você está tentando fotografar uma parede branca, você deve “falar” pra câmera que a parede é branca, e não cinza! Então você coloca um pouco de compensação positiva. Pode ser tanto abaixando a velocidade ou abrindo a abertura (ou ambos), pra trazer o fotômetro pra um valor positivo – você está tentando capturar mais luz. Tente +2 stops e bata uma foto. Pronto, sua parede branca agora está branca, exposta corretamente.
Tonalidades diferentes vão pedir compensações diferentes. O preto quase puro pede -2 stops, e o branco quase puro +2 stops. O meio deles é um pouco mais difícil de determinar, mas com experiência fica fácil. Não tem outra forma de explicar isso, você vai ter que testar você mesmo com tonalidades diferentes e que valor de compensação elas pedem.
 Mata Atlântica no Parque do Zizo. Fazer a medição de luz em florestas pode ser difícil, pois há muitas tonalidades diferentes. Onde devo apontar o spot meter?
Onde você aponta a medição pontual pra fazer a medição faz toda a diferença. Com câmeras digitais recomendo que você use o ponto relevante mais claro na foto. Lembre-se que você não quer áreas grandes sobrexpostas ou estouradas, então desde que você exponha corretamente aquela área mais clara, todas as outras tonalidades na cena vão cair em seus devidos lugares. Se isso não acontecer quer dizer que a cena tem um contraste mais alto do que sua câmera consegue capturar. A solução nesses casos é usar flash para preencher as sombras; procurar um ângulo onde você consiga evitar esse ponto muito claro; usar um filtro gradual ND quando possível (pra fotos de paisagem); ou voltar em horário diferente, com uma luz mais favorável. Não tem mágica.
 Aqui você vê mais ou menos como o fotômetro iria enxergar a cena da floresta. Está sem cor e borrado pra gente focar mais claramente nas tonalidades, sem os detalhes pra atrapalhar. O ponto amarelo mostra onde eu medi a luz.
Pra esse cena na floresta eu medi a luz na “prainha” do outro lado do riacho, onde a luz era um pouco mais forte. Há uma pequena área de céu no topo do quadro onde a luz é bem mais forte, mas eu não medi naquela área porque ela é irrelevante pra cena. O céu ali está estourado, mas não faria diferença nenhuma pra cena se ele não estivesse. Então o local relevante mais claro da cena foi a prainha mesmo. Ao tirar a cor da foto no Photoshop eu medi a tonalidade naquela área e vi que ela é um pouquinho mais escura que cinza 18% (o que, aliás, é uma definição meio vaga). E isso coincide com a escolha de compensação de exposição que eu usei na hora, algo em torno de -0.3 a -0.7. Isso tambem acaba sendo um bom exemplo que a área mais clara na foto nem sempre precisa de uma compensação positiva. A área mais clara simplesmente quer dizer que ela é mais clara em relação às outras na cena.
Isso é a introdução básica ao Sistema de Zonas que se tornou famoso graças a Ansel Adams. Entender ele, pelo menos o básico da idéia, é entender como sua câmera funciona. Acredite em mim, isso vai fazer muito mais diferença na sua fotografia do que saber qual é a versão do processador do sensor ou qualquer outra besteirada tecnológica.
Estava pensando em mudar a cara do meu site faz tempo. Alguns dias atrás finalmente decidi fazer isso. Não foi uma decisão fácil porque não sou fã (ok eu odeio) de fazer esse tipo de trabalho no computador. Mas foi uma mudança simples e não muito difícil. Na verdade o design ficou bem mais simples e com menos coisas em volta, e esse foi o objetivo mesmo – focar mais no conteúdo e menos nas coisas que o cercam.
Pretendo postar com mais frequencia. Espere ver posts com dicas de fotografia, de observação e identificação de aves, novidades sobre meus cursos e viagens, meus projetos pessoais, dicas de tratamento de imagens, alguma coisa do mercado de fotografia, e também algumas opiniões pessoais sobre assuntos diversos. Já aviso, pode ter até política no meio.
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Como você já deve ter notado pelo design super simples e minha falta de aptidão pra coisa, não consegui resgatar os posts antigos, mas o blog antigo vai continuar no ar para consulta. Também não consegui transferir as pessoas cadastradas pra receber novidades, então se você estava cadastrado lá, você terá que fazer isso novamente aqui.
De qualquer forma, seja bem vindo!
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