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Este blog trás algumas de minhas experiências como fotógrafo profissional e outros assuntos relacionados a fotografia, observação de aves e natureza.
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© Octavio Campos Salles

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A composição na fotografia é assunto extremamente importante se o objetivo vai além do simples registro, se o objetivo é de causar uma sensação agradável pra quem olha pra sua fotografia, de harmonia. Basicamente buscamos ordenar os objetos de forma que eles se complementem. Em fotografia de aves (ou outros animais) isso não é tão simples assim, pois na maioria das vezes não temos como posicioná-los exatamente como gostaríamos, então temos que rapidamente pensar na melhor composição antes que ele vá embora!
Com a prática nem precisamos pensar mais, acaba ficando intuitivo. Você olha no visor da câmera e percebe que algo está errado, alguma coisa está estranha, e, instintivamente, busca uma composição mais harmônica. Mas pra chegar nesse ponto, de fazer isso sem perceber, é preciso treinar o olhar, e nada melhor que isso que estudar o trabalho de outros fotógrafos, tanto pra ver o que está errado como o que está certo!
De cara já digo que um dos maiores erros em fotografia de aves é cortar muito a foto. Se ficar só a ave no quadro, como fazer qualquer tipo de composição?? A composição precisa incluir elementos naturais, a vegetação, o ambiente ao redor, isso não só ajuda a formar a composição harmônica, como também conta a história do ambiente que aquela ave ocupa, o contexto na hora da foto, etc. Vamos analisar essas fotos abaixo, que fiz recentemente em uma viagem a Urupema, SC e que mostram o mesmo tipo de problema de composição.

Essa foto acima pode parecer boa no primeiro olhar, mas ela não está harmônica. Existem alguns probleminhas que podem ser corrigidos.

Como a ave estava virada pra esquerda, eu não poderia colocar ela no canto esquerdo da foto pois ela ficaria olhando pra “parede” do quadro. Como regra a ave deve sempre estar olhando “pra dentro” do quadro. Então eu tive que colocar ela um pouco pra direita, não muito pois caso contrário eu ia cortar a planta onde ela estava pousada no meio, e isso não ficaria muito legal, então como resultado a ave acabou ficando um pouco mais pro meio do que eu gostaria. O segundo e maior problema é que toda a metade esquerda da foto está vazia, sem contexto. Quando vc olha pra foto vc olha só pro lado direito, o lado esquerdo não adiciona nada. Como a ave ficou um pouco centralizada demais, aquela parte do canto superior direito tbm ficou meio sem sentido.

Percebendo isso na hora eu apontei a lente mais pra direita e esperei a ave olhar pro lado direito e, portanto, pra dentro do quadro.

Veja como eu consegui incluir uma planta menor do lado direito, o que ajudou a criar uma linha imaginária que trás mais harmonia na composição e mostra mais o ambiente, além, é claro, de contextualizar a segunda metade do quadro.

Aqui temos o mesmo problema da outra foto. A ave estava virada pro lado errado!

Veja como temos aquele mesmo problema da metade esquerda estar muito vazia, enquanto a outra, em contraste, está muito cheia.

Aqui eu fiz a mesma coisa, virei a lente pra direita e inclui a vegetação bem interessante do local, com flores e etc e esperei a ave olhar pro lado direito.

Repare como eu enquadrei as principais plantas, sem cortá-las nas laterais, o que criou uma composição agradável, como um vaso com flores saindo do centro. A ave é o detalhe que completa a foto, a cereja no bolo.
Depois vou fazer outros posts desse tipo, com outros tipos de problemas de composição.

A edição desse mês da revista Terra da Gente trás uma matéria e fotos de minha autoria. A matéria, entitulada “as últimas matas virgens”, conta um pouco da história de ocupação humana na Mata Atlântica, e porque alguns pontos (poucos, é verdade), ainda encontram-se em estado praticamente intocado, com vegetação primária deslumbrante, árvores enormes e animais que, em outras áreas do bioma, já encontram-se extintos.
É claro que, de longe, a maior destruição da Mata Atlântica ocorreu nos 500 anos pós-descobrimento, especialmente nos últimos 50 anos mais ou menos. Mas engana-se quem acha que os indígenas que habitavam aqui viviam em perfeita harmonia com a natureza. Eles eram humanos como eu e vc, e, como qualquer humano, não evoluíram para viver na floresta. Portanto a floresta já era derrubada muito antes da chegada dos europeus. Mas afinal por que, após milhares de anos de ocupação humana intensa na região, algumas partes da floresta permaneceram intocadas?
A matéria está realmente muito legal, não deixe de ler! Já nas bancas!
 Floresta primária no Parque do Zizo

Quero dividir com vocês uma grande alegria, a edição desse mês (Maio) da National Geographic brasileira tem uma foto minha na seção Global, no início da revista. Ser publicado pela NG é objetivo de qualquer fotógrafo de natureza, e claro sempre foi um dos meus objetivos, então estou muito feliz! Na verdade já tinha uma foto publicada em um livro da NG, o Bird Coloration, mas na revista é especial. Agora vou trabalhar duro pra conseguir outras publicações, aliás, já estou fazendo isso….
A foto é essa abaixo, de um macho de maria-leque-do-sudeste (Onychorhynchus swainsoni), uma das aves menos conhecidas da Mata Atlântica. No 2º semestre do ano passado achei o ninho da espécie no Parque do Zizo e em seguida acompanhei a nidificação junto com o ornitólogo Guilherme Ortiz, que irá publicar um estudo sobre a espécie. Descobrimos alguns detalhes novos sobre a biologia reprodutiva dessa enigmática ave do sub-bosque da floresta.
Não foi fácil pegar uma foto com o leque aberto, e o melhor, em condições naturais. Não usamos playback um único segundo de todo o tempo que passamos lá, pra não estressar as aves e expor o ninho a predadores. Nossa intenção era realmente registrar o comportamento natural do casal. No total foram cerca de 16 dias inteiros observando as aves, chegávamos bem cedinho no blind (esconderijo) que montamos próximo ao ninho e só saíamos pra almoçar e ao escurecer, e nesse tempo tomei 1.254 picadas de pernilongo, rs. Vimos as aves abrir o espetacular leque algumas vezes, mas sempre longe da câmera ou atrás da vegetação. Uma única vez, no entanto, aos 40 do segundo tempo, o macho abriu totalmente o leque perto de nós, e consegui a foto abaixo. Um único frame que mostra toda a beleza da espécie. Insistência vale a pena!
 O macho exibindo seu espetacular leque, que brilha no interior escuro da floresta.
 Eu e Guilherme, no blind. Foto: Guilherme Ortiz
 Eu fotografando. Foto: Guilherme Ortiz
Tenho o costume de estudar o trabalho de grandes fotógrafos, gênios da nossa profissão, pra quem sabe extrair um pouquinho do conhecimento adquirido durante anos por eles. Um dos fotógrafos que admiro o trabalho é o Sam Abell, da National Geographic. Suas fotos transmitem calma e tranquilidade. Uma das dicas que ele diz que aprendeu com seu pai é para fazer a composição e esperar o momento certo. Essa é uma dica valiosa, ao invés de ficar caçando cenas que possam surgir meio que por sorte, não é melhor fazer com calma a composição e esperar o melhor momento, a melhor luz? As melhores fotos quase sempre são fruto de planejamento e insistência.
Essa espera pode ser de alguns minutos, algumas horas, dias, meses… por que não anos? Vc já tem a imagem na cabeça, a composição… falta só o detalhe pra tornar a cena especial. Insista.
 Cena de floresta fotografada às 08:54. A luz estava meio sem graça.
 A mesma cena às 09:26, quando o sol achou uma brecha entre as nuvens, jogando uma luz bem mais dramática nas árvores do morro em 1º plano e iluminando a neblina saindo da floresta.
A espera pra essa foto no Parque do Zizo na verdade foi muito maior que esse intervalo, pois eu já imagina essa foto algumas semanas antes, mas nunca encontrava a situação ideal.
Um detalhe dinâmico na cena também pode melhorar muito uma foto. Por exemplo nessa foto aérea abaixo em Jurerê, Florianópolis. Vi a lancha chegando e pedi pro piloto posicionar o helicóptero pra foto. Já tinha feito a mesma foto sem a lancha, mas é claro que essa ficou mais dinâmica, e foi essa a foto que o cliente escolheu. Portanto a dica é: espere acontecer algo na sua composição.


Essa semana estive novamente no Parque do Zizo e os gaviões continuam dando show. Dessa vez não foi o gavião-de-penacho, mas sim dois gaviões-pombo-grande (Pseudastur polionotus). Fui de manhã cedinho pro mirante perto da pousada e fiquei lá, a manhã estava linda, com a neblina dançando com a luz da manhã, o que rendeu fotos fantásticas de paisagem. Um pouco mais tarde os gaviões começaram a planar e logo apareceram os dois gaviões-pombo.
Um deles estava carregando uma cobra nas garras. Gaviões do gênero Pseudastur (antigo Leucopternis) são especialistas em caçar cobras arborícolas. Um dos gaviões tentava roubar a cobra do outro, e assim eles ficaram por um bom tempo, voando pra lá e pra cá, gritando bastante. Eventualmente ele conseguiu pegar a cobra, pra azar do outro gavião. Na natureza não tem ninguém bonzinho, e num lugar preservado como o Zizo, cenas assim podem acontecer a qualquer momento.
A dica que fica do encontro é que é sempre bom insistir num local. A maioria já teria deixado o local após um tempo sem maiores atividades, mas cada vez mais chego à conclusão que não adianta querer abraçar o mundo, é preciso focar em uma coisa por vez. Naquele dia nosso objetivo era as paisagens de manhã e os gaviões, e conseguimos os dois.


Vem aí o Avistar 2012, evento já muito tradicional, que reúne a nata da observação de aves no país, bem como muitos expositores. Vale muito a pena ir! O evento acontece no lindo Parque Villalobos, em São Paulo, de 18 a 20 de Maio. Imediatamente após o Avistar vai ter mais uma viagem Bird&Foto ao Parque do Zizo (que aliás também estará com um stand lá), uma ótima oprtunidade pra quem vem de fora esticar um pouquinho a viagem e conhecer a Mata Atlântica mais preservada do Brasil.
A viagem será de 21 a 24 de Maio e, dependendo do número de pessoas de fora, podemos combinar o transporte a partir de São Paulo. Veja mais detalhes clicando aqui. As vagas já estão sendo preenchidas, garanta já a sua!

 Jatobá gigante
Mais um Bird&foto se passou, e novamente com um grupo especial e bem animado, formado por Hideko Okita, Wagner Espechit, Leonardo Bittencourt e sua namorada Juliana. Chegamos todos na quinta um pouco antes do almoço e sob um sol forte. Imediatamente notei que a mata estava seca, o que é raro de se ver aqui, numa região tão úmida. Ficou seco na maior parte do tempo, o que era bom a noite, pois com a lua cheia e o clima quente e sem vento, as corujas estavam ativas. O mesmo filhote de murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana) que fotografamos no início de Fevereiro ainda está por lá. Ficava vocalizando um uooooww a noite toda, certamente chamando os pais para o alimentarem. Tinha também corujinha-sapo (Megascops atricapilla) vocalizando, e consegui atrair uma pro Wagner fotografar.
 Murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana)
Só choveu na noite de sábado, quando a temperatura também caiu bastante e na manhã de domingo tivemos até que usar casaco. No geral, apesar do tempo seco, as aves estavam relativamente ativas. Encontramos por diversas vezes o tropeiro-da-serra (Lipaugus lanioides), um cotingídeo difícil em alguns lugares mas aqui é comum, dessa vez até comum demais! Parece até que em todos os lugares que íamos, lá estava ele. Outro cotingídeo que apareceu bastante foi o corocochó (Carpornis cucullata) e fizemos ótimas fotos. Foi muito legal encontrar o raro mono-carvoeiro-do-sul, o maior primata das Américas, pena que foi um encontro breve.
 Noite de lua cheia na floresta
Encontramos também um surucuá-grande-de-barriga-amarela (Trogon viridis) que deu muito mole na pousada. Em determinado momento, sem se importar com nossa presença, ele pousou no chão e começou a engolir pedrinhas! Deve ser pra ajudar na digestão. Mas o engraçado é que ele não comeu umas duas, três… mas acho que mais de 20! O Wagner fotografou bem a cena, a foto deve ir pro Wikiaves em breve.
Quando estavamos no mirante vi um bandinho de cuiú-cuiú (Pionopsitta pileata) passar voando e pousar no alto da trilha do passarinheiro, lugar com grande quantidade de fruteiras. Suspeitei que lá podíamos encontrar a jacutinga (Aburria jacutinga) comendo essas mesmas frutas e dito e feito, encontranos uma lá. É sempre emocionante encontrar essa ave ameaçada. Outros destaques do workshop foram papa-formiga-de-grota (Myrmeciza squamosa), choquinha-pequena (Myrmotherula minor) e entufado (Merulaxis ater)… né Wagner? rs…
 Surucuá-grande-de-barriga-amarela (Trogon viridis)
No final da viagem eu estava sentado na pousada enquanto o pessoal tentava caçar umas últimas fotos. Vi um gavião enorme passando voando, olhei com o binóculo e vi, bem de perto, um lindo gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus). Juro que deu pra ver ele me olhando. Ele planou baixo, em direção a alguma árvore grande ao lado da trilha mestre. Com certeza ele pousou numa dessas árvores. Na hora não estava com a 600mm, só a 300mm. Tentei chamar o pessoal mas não tinha ninguém por perto. Peguei a 300mm mesmo e fui correndo (literalmente) ladeira acima, procurando o gavião nas árvores. De repente vejo ele planando, circulando pra ganhar altura. Foi demais ver o bichão voando sobre aquele parte linda da floresta, e bem mais perto do que eu estou acostumado a ver. A foto até que saiu razoável considerando que foi em 300mm. Se fosse em 600mm teria ficado um fotão. Antes de ir embora ainda vimos um bando grande de apuim-de-costas-pretas (Touit melanonotus) voando e fazendo barulho sobre a pousada.
 Gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus)
O próximo workshop vai ser imediatamente após o Avistar. Ótima oportunidade pra quem vem de fora conhecer esse paraíso que é o Parque do Zizo. Garanta sua vaga agora, depois pode ser tarde!
 Da esquerda pra direita: Hideko, Leonardo, Wagner e eu
Você tem algum projeto fotográfico? Uma meta? Se não, é melhor considerar um. Nós fotógrafos, como qualquer outro artista, dependemos de criatividade e inspiração. Os melhores fotógrafos quase sempre são aqueles com maior criatividade, que conseguem enxergar a cena de outra forma, que conseguem captar algo que pode passar despercebido pela maioria e, mais importante, conseguem passar algum tipo de sensação. As fotos que nos fazem pensar são geralmente as que lembramos por mais tempo. As fotos que simplesmente olhamos e passamos adiante, o mero registro, são passageiras e tendem a ser esquecidas imediatamente.
 Albatroz solitário num oceano gigante
Mas achar inspiração nesse mundo tão complexo de hoje pode ser difícil. Somos bombardeados com tanta informação diferente a cada dia que fica difícil focar numa coisa só e extrair o melhor dela. Inspiração pra mim vem de um bom livro, um filme, um documentário, uma música. Mas é preciso ter um projeto, senão você fica sem saber o que fazer com a inspiração.
 Araras-vermelhas
Pra ser fotógrafo é preciso amar o que faz. Não basta gostar, você tem que adorar tirar foto e sempre querer melhorar. Achar que vc já é bom é perigoso, pois você pode estagnar naquele nível, e isso nunca é suficiente. Eu por exemplo sempre que olho minhas fotos antigas, mesmo as de apenas 1 ano atrás, vejo que estou evoluindo e tomare que isso não acabe nunca! Todo fotógrafo passa por uma fase de simplesmente registrar a cena, e acho que já passei por essa. Hoje vejo a fotografia de forma diferente, menos bitolado com a qualidade e mais interessado no momento. Nem toda foto precisa estar 100% focada e super hiper nítida. Nem toda foto precisa estar com o ruído baixíssimo e cores vibrantes. O momento é mais importante que a qualidade. A perfeição absoluta é monótona.
 Meninos na Amazônia logo após abaterem um cateto - mais um dia na floresta.
Ter um projeto e um planejamento bem feito é importante. Escreva todas as fotos que você imagina para o projeto. Viu uma cena legal em um filme, te deu uma idéia de uma foto pro seu projeto? Escreva. Pesquise e busque inspiração em documentários e filmes. Passe a reparar nos detalhes de composição, iluminação, posição da câmera, distância focal, etc. Antes de viajar a um local que não conhece, pesquise tudo na internet, olhe as fotos pra ver quais já são manjadas, olhe a região pelo Google Earth, onde o sol nasce? Que horas? E a lua? O ato da foto é o momento onde toda a pesquisa feita, toda a inspiração acumulada deve valer a pena.
O projeto pode ser simplesmente aumentar o seu portfolio de forma coesa, ou então fazer um foto-livro pra mostrar pra família e amigos, ou uma seção de fotos pra enquadrar pra sua casa, ou ainda um livro tradicional. Não importa qual, o importante é ter um objetivo.
 Maria-leque voltando ao seu poleiro preferido, após mais uma caçada
“O fundo é quase tão importante quanto o assunto”, costumo falar isso nos meus cursos. E é isso mesmo, o plano de fundo pode tornar ou uma foto excelente ou horrível, principalmente em fotos de aves com tele-objetiva. Muitas vezes vejo o pessoal tão bitolado com a ave que acaba esquecendo do plano de fundo! Só vai reparar depois, no computador, e aí já é tarde. Geralmente queremos dar ênfase à ave e deixar o fundo homogêneo, fora de foco, não muito confuso e nem competindo com o assunto. O fundo deve complementar o assunto.
Pra conseguir um fundo fora de foco temos que levar 4 fatores em consideração:
1) O tamanho do sensor da câmera: quanto maior o sensor, menor será a profundidade de campo, ou seja, vai ser mais fácil conseguir colocar o fundo fora de foco. Com câmeras compactas, cujos sensores são, em média, bem menores que as DSLR full frame, é difícil conseguir esse efeito, pois a profundidade de campo nesses casos é bem grande. Existem ainda as DSLR de sensor “cropado”, geralmente 1.5 ou 1.6 vezes menor que um sensor 35mm (full frame). Essas tem profundidade de campo intermediária. Eu recomendo e uso câmeras full frame devido à qualidade de imagem superior gerada por elas, mas existe a desvantagem de “perder” distância focal. Por exemplo em uma câmera de sensor cropado, uma lente 400mm equivale a uma 600mm, já na full frame 400mm são 400mm mesmo!
2) Quanto maior a distância focal, menor a profundidade de campo: com uma lente 600mm vai ser mais fácil desfocar o fundo do que com uma 200mm.
3) Quanto maior a abertura da lente utilizada, menor a profundidade de campo: quando usamos, por exemplo, f/2.8, a profundidade de campo é menor do que f/4. O fundo vai ficar mais desfocado em f/2.8. Mas a escolha de que abertura usar é um pouco mais complexa que isso e motivo pra outro tópico. Pra esse assunto, basta saber isso.
4) Distância do assunto: quanto mais perto chegamos da ave, mais fácil será desfocar o fundo; ou ainda quanto mais longe for o fundo em relação à ave, mais fácil será desfocá-lo.
 Conseguir fundos desfocados e uniformes em aves de floresta é mais difícil. Eu sempre tento achar a melhor posição pra conseguir um fundo uniforme, é uma preocupação constante. Ao me mover alguns passos pra esquerda consegui um fundo mais limpo pra fotografar esse surucuá-de-barriga-amarela (Trogon rufus) no Parque do Zizo.
Mas só o fato de deixar o fundo fora de foco não é suficiente. É preciso escolher um fundo que, de preferência, não tenha objetos “atravessando” a ave. É bom também evitar fundos aparecendo o céu em dia nublado ou fundos onde você tem pontos de brilho, como por exemplo o céu através da copa de uma árvore. Esses pontos de brilho, quando fora de foco, ficam bem maiores e acabam com a foto. Outra dica é procurar uma cor de fundo que complemente a ave, então se vc for fotografar as aves de floresta, combina bem um fundo verde… já aves de cerrado combina um fundo marrom, e assim vai.
 Inicialmente essa ariramba-de-cauda-ruiva (Galbula ruficauda) estava pousada em um local ruim, onde o fundo era muito claro e confuso, cheio de galhos atravessando a ave ou formando padrões estranhos de composição.
 Ao invés de me contentar com a primeira foto, tive um pouco de paciência e esperei que a ariramba pousasse num lugar melhor. Logo ela escolheu esse galho, com um fundo mais escuro e uniforme, bem melhor que o outro.
Uma boa forma de conseguir desfocar bem o fundo, principalmente com aves que andam no chão, é chegar no nível da ave, mesmo que isso te force a deitar no chão! Dessa forma o fundo vai ficar bem uniforme e desfocado.
 Ao deitar no chão eu consegui um fundo muito uniforme pra fotografar esse maçarico-branco (Calidris alba) no RS. O fundo também mostra uma idéia do hábitat típico da espécie quando em migração - praia amplas, bem abertas.
Claro que pra tudo existe uma exceção e ás vezes queremos exatamente o contrário: um fundo bem focado pra mostrar melhor o ambiente da ave. Mas de uma forma geral na maioria das vezes nesse tipo de foto buscamos um fundo desfocado e que complemente a foto.
Quando pensamos em fotografias de paisagens, logo associamos ao uso de lentes grande-angulares, que conseguem registrar todo o cenário. Mas e se apenas parte da cena for mais interessante? É aí que entram as tele-objetivas. Por tele-objetiva entendo qualquer lente acima de uns 100mm. Tem gente que acha que tele-objetiva só serve pra fotografar animais, mas não é bem por aí. Com elas podemos “retirar” da cena apenas a parte que nos interessa. Acho as tele-objetivas particularmente úteis quando queremos registrar cenas de florestas, já que muitas vezes uma grande-angular pode incluir tanta coisa do “caos” em volta, que a foto fica confusa e acaba não passando a beleza do lugar.
Existem algumas particularidades na fotografia com tele-objetivas que devem ser levadas em conta:
Perspectiva:
Como Ansel Adams já disse: “a perspectiva é uma função da distância da câmera pro assunto“. Então já que a perspectiva é determinada apenas de onde você está fotografando, você as vezes vai notar que a perspectiva mais interessante é quando olhamos a cena de uma grande distância. Então pra preencher o quadro com essa perspectiva distante, é necessário o uso de uma tele-objetiva.
 A cena vista através de uma lente 50mm inclui muitos elementos que não ajudam muito, sem falar que o interesse principal pra mim no caso era o enorme jatobá com folhas vermelhas, que se destacava do restante da floresta.
 Nessa foto eu troquei pra uma lente 300mm e aí sim, consegui dar mais destaque ao enorme jatobá. Note como a perspectiva não mudou. CLIQUE PARA VER MAIOR.
Compressão:
Tele-objetivas possuem a característica de comprimir objetos posicionados na frente da lente. Então se com uma lente normal uma árvore pode parecer estar bem distante da outra árvore por trás, com tele-objetivas elas podem parecer estar bem próximas uma da outra. Uma garoa pode parecer uma chuva torrencial. Um bandinho de aves pode parecer um bando enorme. Essa compressão pode não representar fielmente a realidade da cena, mas pode ser usada a seu favor na visão artística.
Saber usar a compressão a seu favor é fundamental pra conseguir bons resultados na fotografia de paisagens com tele-objetivas. Quando você comprime uma cena normalmente é possível identificar “camadas” da cena, como aqueles livros infantis com diferentes camadas para os arbustos, a árvore, o celeiro, a casa, as nuvens, etc. Você deve usar essas camadas para formar sua composição, geralmente da mesma forma que com uma grande-angular, com primeiro plano, plano intermediário e plano de fundo.
Essa compressão causada pela lente também aumenta a densidade de partículas na atmosfera e isso também pode ser usado a seu favor, mas no geral você vai precisar aumentar um pouco o contraste da cena com as curvas de tons no pós-processamento pra evitar que a foto fique muito flat.
 Repare como essa foto, feita em 600mm, está dividida em camadas, comprimidas umas contra as outras. Na realidade o morro onde aparecem as árvores no 1º plano estava centenas de metros na frente das árvores do fundo, mas a aparência é que estavam relativamente próximos. Essa compressão também ajudou a deixar mais aparente a neblina subindo no fundo. CLIQUE PARA VER MAIOR.
 Nessa foto a compressão ocasionada pela lente dá a impressão de que o mar está muito mais bravo e agitado do que realmente estava, pois comprime as ondas uma próxima da outra.
Profundidade de campo:
A profundidade de campo de uma tele-objetiva é muito menor que uma grande-angular, ou seja, é mais fácil conseguir planos desfocados com esse tipo de lente. Quanto maior a distância focal (e também o sensor da câmera, assunto pra outra hora), menor é a profundidade de campo. Como no caso da compressão, uma profundidade de campo limitada também pode ser usada a seu favor para efeitos artísticos e para dar ênfase em uma parte específica da cena.
Normalmente imaginamos sempre o primeiro plano focado e a cena atrás ficando gradualmente fora de foco. Mas na fotografia de paisagens com tele-objetivas muitas vezes consigo resultados interessantes colocando o primeiro plano levemente desfocado, aumentando a noção das “camadas” e de profundidade. E claro que esse primeiro plano deve fazer sentido e completar a composição.
 Somente com uma tele-objetiva foi possível fotografar a beleza dessas begônias no alto de uma árvore. A profundidade de campo limitada ajudou ao desfocar o plano de fundo, deixando o assunto em destaque. Foto feita em 600mm.
Nitidez:
Conseguir nitidez perfeita com tele-objetivas é mais complicado que com outras lentes, pois a longa distância focal não só multiplica o tamanho da imagem, mas também qualquer tremor, seja ele causado pelo movimento na câmera, pelo vento ou até mesmo pelo próprio espelho da câmera. A regra é: sempre use um tripé bom e estável para o peso do seu conjunto. Vejo muita gente usando tripés muito leves para o conjunto que possuem, e isso é um erro. O tripé deve ser muito sólido e forte, acredite em mim – faz diferença.
Outra coisa que faz muita diferença nesse tipo de fotografia é usar a função trava de espelho, também conhecida como Mirror Lock Up ou simplesmente MUP, e claro um cabo disparador ou controle remoto pra disparar a câmera. Usando o MUP você pode abrir o espelho e esperar alguns segundos antes de bater a foto, tempo suficiente pra eliminar qualquer tremor ocasionado pelo levantamento do espelho e que, em situações normais, estaria presente durante a exposição da foto. Isso também faz muita diferença e as vezes eu uso até na fotografia de aves.
Na fotografia não existem regras rígidas, a única regra é usar o equipamento pra criar a imagem que transmite o que vc pretende com ela. Existem ótimas fotos de aves com grande-angular, assim como existem ótimas fotos de paisagens com tele-objetivas. O importante é atingir o objetivo.
Todas as fotos desse post foram feitas no Parque do Zizo, exceto, é claro, a foto das ondas, que foi feita no P.N. da Lagoa do Peixe.
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